Fiquei entristecido ao visitar um site de nosso irmão na fé, onde o mesmo inseriu ao final do artigo postado que, tanto o sustento dos ministeriais da igreja como o dízimo são bíblicos. Neste artigo, vou tentar esclarecer alguns fatos esquecidos por muitos dos defensores da remuneração dos "pastores" e demais ministeriais da igreja.
Obs.: Eu já havia escrito um artigo (Sustento dos "pastores", Está de Acordo com o Novo Testamento?), que aborda justamente a questão da remuneração dos ministeriais das igrejas, porém, como observei que existem mais "argumentos" sendo cogitados como bíblicos, resolvi mais uma vez esclarecer este ponto fundamental para todos os crentes em Deus por Jesus Cristo da atualidade, visto que muitas denominações, principalmente as neopentecostais, defendem o direito dos ministeriais serem assalariados pelos membros (ou, pela igreja).
Um texto bíblico bastante utilizado como argumento bíblico pelos defensores da remuneração ministerial é este:
'Não sou eu apóstolo? Não sou livre? Não vi eu a Jesus Cristo Senhor nosso? Não sois vós a minha obra no Senhor? Se eu não sou apóstolo para os outros, ao menos o sou para vós; porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor. Esta é minha defesa para com os que me condenam. Não temos nós direito de comer e beber? Não temos nós direito de levar conosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas? Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar? Quem jamais milita à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o gado e não se alimenta do leite do gado? Digo eu isto segundo os homens? Ou não diz a lei também o mesmo? Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois? Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante. Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais? Se outros participam deste poder sobre vós, por que não, e mais justamente, nós?' (I Cor. 9.1-12)
Curioso é o fato do ocultismo do complemento deste texto pelos defensores da remuneração dos ministeriais da igreja, pois continuando esta passagem, o apóstolo Paulo diz:
Sobre o apóstolo Paulo dizer: 'Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho', sem dúvidas, os apóstolos haviam recebido esta ordem do Senhor Jesus, claramente explicada na passagem à seguir:
'E depois disto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir. E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara. Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos.Não leveis bolsa, nem alforje, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho. E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa. E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós. E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa. E, em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei do que vos for oferecido. E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus'. (Luc. 10.1-8)
Outro texto mais esclarecedor que o texto acima, é este:
'E, CHAMANDO os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda a enfermidade e todo o mal. Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: O primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Lebeu, apelidado Tadeu; Simão, o Cananita, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu. Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel; E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai. Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos, Nem alforges para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordões; porque digno é o operário do seu alimento'. (Luc. 10.1-10)
Esta claro nesta passagem que o 'viver do evangelho' seria comer e beber daquilo que é colocado à mesa quando é anunciado o evangelho à uma determinada pessoa, família e etc. No 'viver do evangelho', não podemos interpretar o verbo salário ligando-o ao dinheiro (isto seria trocar o dom espiritual pelo material, incompatível com uma sincera vocação cristã), e sim da alimentação e trajes (ou, roupas) para se vestir. Ora, no caso dos que queriam ou dos que querem viver do evangelho, não é necessário mais do que o alimento para se viver. Ou não confias tu que o Senhor Deus que lhe designou à esta excelente obra possa suprir suas necessidades?
'E disse aos seus discípulos: Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis. Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes. Considerai os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem têm despensa nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves? E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura? Pois, se nem ainda podeis as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras? Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. E, se Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos. Porque as nações do mundo buscam todas essas coisas; mas vosso Pai sabe que precisais delas. Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas' (Luc. 12.22-31).
E notório na bíblia que os apóstolos ficaram ricos com a pregação do evangelho de Cristo, fato esquecido pelos assalariados pelo dízimo das igrejas nos dias de hoje, onde os "ministeriais" despojam de carros importados, mansões em áreas nobres e etc.
Se fosse visar o lado financeiro da história, o próprio apóstolo Paulo "perdeu" dinheiro com a pregação do evangelho, pois para ele seria bem mais vantajoso (financeiramente falando), se ele cobrasse dos sumo-sacerdotes por cada cristão preso e/ou morto. Imaginem só...
Outro texto bíblico utilizado como argumento bíblico pelos defensores da remuneração ministerial é este:
'Pequei, porventura, humilhando-me a mim mesmo, para que vós fôsseis exaltados, porque de graça vos anunciei o evangelho de Deus? Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo delas salário; e quando estava presente convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado. Porque os irmãos que vieram da Macedônia supriram a minha necessidade; e em tudo me guardei de vos ser pesado, e ainda me guardarei. Como a verdade de Cristo está em mim, esta glória não me será impedida nas regiões da Acaia. Por quê? Porque não vos amo? Deus o sabe. Mas o que eu faço o farei, para cortar ocasião aos que buscam ocasião, a fim de que, naquilo em que se gloriam, sejam achados assim como nós. Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras'. (II Cor. 11.1-15)
Significado de fraudulento é: Todo artifício empregado com o fim de enganar uma pessoa e causar-lhe prejuízo. A fraude traduz a intenção de procurar uma vantagem indevida, patrimonial ou não.
Este significado se aplicava aos falsos apóstolos (ou, evangelistas da época) e se aplica e muito nos "evangelistas" da atualidade.
Viver do evangelho, em nossos tempos, imitando severamente os tempos apostólicos seria a pregação evangelho à um determinado local onde a igreja ainda se encontra em crescimento espiritual e também incluindo o fato de que os evangelistas estejam impossibilitados de exercer sua profissão ou de trabalhar (isto responde o porque Paulo foi "assalariado" pela igreja da Macedônia, pois a profissão do apóstolo Paulo era fazer tendas Ats. 18.3), algo quase impossível de se ligar nos dias de hoje, visto que todos possuem condições de trabalho em diversas profissões.
Pode haver raras exceções onde a pregação do evangelho seja em um país como a África por exemplo, (onde graças à Deus a população se encontra em crescimento espiritual considerável), igreja pode colaborar com o evangelista em lhe sustentar (alimentação e abrigo) temporariamente enquanto a missão é concluída. Quem não possui vinculo com nenhuma denominação, não precisa se preocupar, se foi Deus quem lhe designou à evangelizar em outro país, achas tu que Deus vai lhe desamparar?
[CONTINUAÇÃO-PARTE II]
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